Relator do CNJ constata fraude em concurso para magistrado do Rio de Janeiro
Maria Carolina Lopes - Do CorreioWeb
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entendeu que houve fraude no concurso para magistrado, realizado em 2006, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Nesta terça-feira, o relator do processo, promotor Felipe Locke Cavalcanti, concluiu que houve quebra de sigilo das provas. Segundo denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Estado, magistrados do órgão tiveram acesso indevido ao conteúdo para beneficiar amigos e parentes.
Apesar da conclusão, Cavalcanti não opinou se o processo seletivo deve ser totalmente anulado ou se apenas os aprovados envolvidos devem ser afastados do cargo. O procurador-geral da República substituto, Roberto Monteiro Gurgel Santos, chegou a pedir a anulação de todo o concurso com base em decisões anteriores do próprio CNJ. No entanto, o julgamento não terminou nesta terça-feira porque o conselheiro Técio Lins e Silva pediu vistas do processo. Não há previsão de quando o caso voltará a ser julgado pelo Conselho.
Uma investigação preliminar constatou que pelo menos sete dos 24 aprovados no 41º concurso para magistrado são parentes de juízes do TJRJ. O caso mais explícito é o de uma candidata que teria reproduzido na sua prova discursiva um texto fiel ao do gabarito. A inscrita acabou reprovada em outra fase do concurso. Para a OAB, só este fato já comprometeu toda a seleção.
De acordo com a acusação da OAB, além de acompanhar a elaboração das questões, os magistrados tiveram acesso a provas e gabaritos. O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, pediu a anulação do certame. Na opinião do presidente nacional da Ordem, Cezar Britto, o concurso "perdeu a credibilidade".
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